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A independência feminina não destruiu os relacionamentos. O problema começa quando independência passa a significar: “Eu não preciso de ninguém para nada.”

Existe uma diferença enorme entre ser uma mulher autônoma e construir uma relação na qual o outro se torna absolutamente dispensável.

Você pode ter seu próprio dinheiro, sua profissão, seus amigos, seus projetos, viajar sozinha, resolver seus problemas e tomar suas próprias decisões. Aliás, conquistar essa autonomia é uma das grandes vantagens da mulher contemporânea.

Mas autonomia e relacionamento não são conceitos opostos.

O relacionamento começa justamente quando duas pessoas que poderiam viver separadamente encontram razões para participar da vida uma da outra.

E aqui está algo que muitas mulheres ainda não perceberam:

Uma coisa é precisar de um homem porque você não consegue caminhar sem ele. Outra, completamente diferente, é permitir que ele tenha importância na sua vida.

Independência não é autossuficiência emocional

Durante muito tempo, a dependência feminina foi econômica, social e até jurídica. Mulheres precisavam de homens para acessar recursos, segurança e determinadas posições sociais.

Felizmente, grande parte dessa realidade mudou.

A mulher contemporânea pode construir a própria autonomia financeira, profissional, social e existencial.

O erro está em transformar essa conquista em uma espécie de defesa psicológica:

“Eu faço tudo sozinha.”

“Não preciso pedir nada.”

“Se ele não fizer, eu faço.”

“Meu dinheiro resolve.”

“Não preciso de homem para coisa alguma.”

Perceba que existe força nessas frases, mas também pode existir uma mensagem relacional perigosa:

“Você não tem função na minha vida.”

E ninguém deseja permanecer por muito tempo em um lugar no qual sente que sua presença ou ausência produz exatamente o mesmo resultado.

O ser humano cria vínculos também através do investimento

Na psicologia social, existe uma extensa discussão sobre investimento e compromisso nos relacionamentos.

Um dos modelos mais conhecidos é o Investment Model, desenvolvido por Caryl Rusbult. Em linhas gerais, o comprometimento com uma relação não depende somente da satisfação. Os investimentos realizados naquele vínculo também possuem importância.

Tempo, energia, cuidado, experiências compartilhadas, recursos e envolvimento aumentam aquilo que psicologicamente está associado à relação.

Isso ajuda a compreender uma dinâmica interessante:

quanto mais participamos da construção de algo, maior tende a ser seu significado para nós.

Isso vale para homens e mulheres.

Entretanto, na dinâmica amorosa, muitos homens atribuem especial significado à percepção de que conseguem contribuir, proteger, resolver, proporcionar e facilitar aspectos da vida da parceira.

Não significa que todo homem seja assim nem que essas características pertençam exclusivamente ao masculino.

Significa que, para muitos homens, sentir-se competente e relevante dentro da relação fortalece seu envolvimento.

O homem precisa sentir que existe um lugar para ele

Imagine uma mulher extremamente independente.

Ela ganha seu próprio dinheiro.

Resolve todos os problemas.

Carrega as próprias malas.

Organiza tudo.

Decide tudo.

Paga tudo.

Não pede ajuda.

Não demonstra necessidade.

Não permite interferência.

E quando o homem tenta fazer alguma coisa, ela responde:

“Deixa que eu faço.”

Talvez ela pense que está demonstrando força.

Ele pode estar recebendo outra mensagem:

“Não existe espaço para você aqui.”

É exatamente aqui que muitas mulheres confundem dependência com receptividade.

Permitir que um homem faça algo por você não significa ser incapaz de fazê-lo.

Você pode abrir a própria porta.

Pode carregar sua mala.

Pode pagar o jantar.

Pode resolver aquele problema.

A questão é: você precisa provar o tempo inteiro que consegue?

Provisão não significa necessariamente dinheiro

Quando falamos sobre o homem se perceber como provedor, é comum reduzir imediatamente o conceito ao aspecto financeiro.

Isso empobrece muito a discussão.

Provisão também pode aparecer como disponibilidade, iniciativa, atenção, esforço e capacidade de solucionar problemas.

Ele organiza algo para você.

Busca você em determinado lugar.

Ajuda em uma situação difícil.

Planeja uma viagem.

Resolve um problema.

Oferece apoio.

Cuida quando você está vulnerável.

Assume responsabilidades dentro da relação.

Tudo isso representa investimento.

E existe uma diferença importante entre exigir que um homem faça tudo por você e permitir que ele participe da sua vida.

A primeira postura pode produzir dependência e cobrança.

A segunda produz reciprocidade.

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Proteção também vai muito além da força física

Proteção não significa colocar a mulher em uma posição infantilizada ou incapaz.

Uma mulher emocionalmente madura continua responsável pela própria vida.

Mas pode apreciar um homem que oferece segurança.

Segurança pode aparecer quando ele cumpre aquilo que promete, preocupa-se com seu bem-estar, posiciona-se diante de problemas, oferece apoio em momentos difíceis e demonstra que ela não está sozinha diante das adversidades.

É nesse sentido que provisão e proteção podem adquirir significado psicológico dentro da relação.

O homem percebe:

“Minha presença produz alguma coisa boa na vida dela.”

E isso é completamente diferente de:

“Ela não consegue viver sem mim.”

Competência também aproxima

Outro conceito importante vem da Teoria da Autodeterminação, de Edward Deci e Richard Ryan.

Entre as necessidades psicológicas fundamentais estudadas pelos autores está a competência: a percepção de que somos capazes de agir de maneira eficaz e produzir efeitos no ambiente.

Relacionamentos também oferecem oportunidades para experimentarmos competência.

Quando uma pessoa oferece ajuda, resolve alguma coisa, cuida e percebe que aquilo foi recebido e valorizado, existe um feedback psicológico importante:

“Aquilo que eu faço importa.”

Por isso, desqualificar constantemente a contribuição do parceiro pode produzir um efeito que muitas mulheres não percebem.

Ele tenta ajudar.

Ela corrige.

Ele tenta resolver.

Ela mostra que faria melhor.

Ele oferece.

Ela recusa.

Ele toma uma iniciativa.

Ela assume novamente o controle.

Até que um dia reclama:

“Ele não faz mais nada.”

Talvez seja interessante perguntar em que momento ele aprendeu que fazer era desnecessário.

Receber também é uma habilidade

Existe uma habilidade feminina extremamente sofisticada que algumas mulheres perderam enquanto aprendiam a conquistar autonomia:

saber receber.

Receber uma gentileza.

Receber ajuda.

Receber cuidado.

Receber um presente.

Receber uma iniciativa.

Receber proteção.

E demonstrar que aquilo teve valor.

Isso não diminui você.

Pelo contrário.

Uma mulher segura não precisa transformar cada situação cotidiana em uma demonstração de independência.

Ela sabe aquilo que consegue fazer sozinha.

Justamente por saber, não precisa provar.

E amiga…

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“Mas eu preciso fingir que sou incapaz?”

Jamais.

Esse seria o extremo oposto e igualmente problemático.

Não estou sugerindo que você finja fragilidade, esconda sua inteligência, abandone sua independência financeira ou produza uma falsa dependência para prender um homem.

Isso seria manipulação.

O ponto é outro.

Não seja menos para que ele possa ser mais. Crie espaço para que os dois possam ser importantes.

Existe uma diferença gigantesca entre dizer:

“Não sei fazer isso, faça por mim.”

quando você sabe perfeitamente,

e dizer:

“Eu consigo resolver, mas adoraria se você cuidasse disso para mim.”

Na primeira situação existe encenação.

Na segunda existe escolha e receptividade.

Como aplicar isso na prática?

Comece observando pequenas situações.

Quando ele oferece ajuda, você aceita ou automaticamente responde que consegue sozinha?

Quando ele toma uma iniciativa, você reconhece ou imediatamente aponta como poderia ter sido melhor?

Quando ele tenta solucionar um problema, você permite que ele participe ou assume o controle?

Quando ele demonstra cuidado, você recebe com naturalidade ou sente necessidade de mostrar que aquilo era desnecessário?

E principalmente:

ele consegue perceber que faz diferença na sua vida?

Você não precisa criar problemas para que um homem possa resolvê-los.

Existem problemas suficientes na vida real.

Você também não precisa diminuir suas conquistas para proteger o ego masculino.

Um homem emocionalmente saudável deve ser capaz de admirar sua força.

Mas existe algo profundamente diferente entre um homem admirar aquilo que você construiu e sentir que pode construir alguma coisa ao seu lado.

A Mulher Magnética não precisa. Ela escolhe.

Talvez essa seja a síntese mais importante.

A dependência diz:

“Eu preciso de você porque sem você eu não consigo.”

A autossuficiência defensiva diz:

“Eu não preciso de você para absolutamente nada.”

A interdependência madura diz:

“Eu consigo caminhar sozinha, mas escolho construir algumas coisas com você.”

É nessa terceira posição que relações adultas podem prosperar.

Você preserva sua autonomia.

Preserva seu dinheiro.

Preserva sua identidade.

Preserva seus projetos.

Mas permite que exista um espaço no qual aquele homem possa contribuir, cuidar, participar e ser importante.

Porque talvez a frase “homem só se preocupa com aquilo que cuida” precise de uma pequena correção psicológica:

Nós tendemos a atribuir mais significado àquilo em que investimos.

Portanto, amiga, não abra mão da sua independência.

Ela foi uma conquista.

Só não transforme independência em indisponibilidade para o vínculo.

Porque ser uma Mulher Magnética não significa precisar de um homem para existir.

Significa ser suficientemente segura para não precisar provar o tempo inteiro que ele é dispensável.

Agora vamos lá…

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Não se trata apenas de aprender como atrair um homem. Trata-se de desenvolver a mulher que escolhe melhor, se posiciona melhor, se relaciona melhor e reconhece o próprio valor.

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